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Irrigação contribui na produção de frutas durante as baixas temperaturas

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Os produtores Bruna Miranda da Silva e Lucas Muniz investiram na produção de pitaya e a irrigação se fez necessária devido às baixas temperaturas
Os produtores Bruna Miranda da Silva e Lucas Muniz investiram no sistema de irrigação para produção de pitaya em Soledade - Foto: Roger Terra de Moraes/Emater-RS
Por Carina Cavalheiro/Ascom Emater/RS - Regional de Soledade

O frio intenso chegou ao Rio Grande do Sul e as baixas temperaturas registradas podem provocar prejuízos em espécies frutíferas subtropicais que não resistem a temperaturas negativas. Um dos métodos para impedir a morte das plantas dessas espécies pelo congelamento é o uso da irrigação por aspersão ou microaspersão.

No município de Soledade, o jovem casal de produtores Bruna Miranda da Silva e Lucas Muniz investiu na produção de pitaya como forma de diversificar a produção e, com isso, a irrigação se fez necessária devido às baixas temperaturas frequentemente registrada no município.

Irrigação auxilia na produção de frutíferas durante o período de inverno
Irrigação auxilia na produção de frutíferas durante o período de inverno - Foto: Roger Terra de Moraes/Emater-RS

Na área de 0,4 hectares, onde está localizada a plantação de pitaya, o jovem casal observou a necessidade de investir na irrigação automatizada para garantir o cultivo da fruta devido à ocorrência de frequentes geadas. No inverno de 2019, o casal fez um investimento significativo em um sistema antigeada por meio de irrigação por microaspersão e em equipamentos para irrigação por gotejamento nas pitayas, dimensionando a bomba também para a irrigação das demais culturas na propriedade. 

“As baixas temperaturas que Soledade registra sempre nos causaram medo. Pesquisamos e descobrimos que era possível produzir. No inverno passado tentamos cobrir as plantas, mas não funcionou. Então, investimos na irrigação e no sistema antigeada para este inverno. Estamos curiosos para observar como as plantas irão se comportar durante a estação, pois essa foi a primeira grande geada que atingiu a plantação esse ano”, comenta Bruna, ao se referir à forte geada registrada no município na última sexta-feira (03). Além da pitaya, o casal produz temperos, repolho, couve e brócolis, além de uma área cultivada com nogueira pecã que ainda não iniciou a produção.

O extensionista rural Agropecuário da Emater/RS, Roger Terra de Moraes, explica que a pitaya é uma espécie de clima temperado e não estão adaptadas ao frio intenso. Com isso, as temperaturas abaixo de zero causam danos severos podendo resultar na morte das plantas ou de parte delas. “Com o sistema antigeada por microaspersão, a camada de gelo que se forma na superfície da planta cria uma espécie de cápsula, fazendo com que a temperatura interna da planta não atinja temperaturas negativas, mantendo a integridade do tecido vegetal”, explica.

temperaturas abaixo de zero causam danos severos podendo resultar na morte das plantas ou parte delas
Temperaturas abaixo de zero podem causar danos severos, resultando na morte das plantas ou em parte delas - Foto: Roger Terra de Moraes/Emater-RS

Segundo o extensionista, a estratégia também pode ser adotada em frutíferas de clima temperado em geral, cultivados em regiões onde a geada é frequente. “Algumas espécies como o pessegueiro, ameixeira, videira, entre outras cultivadas em regiões onde frequentemente ocorrem geadas tardias, este sistema também se mostra eficiente para a preservação da integridade do florescimento”, orienta Moraes.

Algumas linhas de crédito rural prevêem o financiamento do sistema de irrigação, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com juros de 2,75% ao ano e até 10 anos de prazo para pagamento dos agricultores familiares, e o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) com juros de 5,0% ao ano.

Outras culturas

Cuidados também devem ser observados em culturas como hortaliças e pastagens. Nas hortaliças, o cultivo em ambiente parcialmente modificados como em estufas e túneis protegem em parte as plantas do frio. No entanto, em locais onde as temperaturas são excessivamente baixas podem ocorrer a morte das espécies de verão, mesmo cultivadas no interior desses ambientes. Outra orientação é não cultivar espécies suscetíveis às baixas temperaturas ou que tenham seu desenvolvimento afetado com o frio, como, por exemplo, tomate e pimentão.

O pasto nativo reduz no frio, sendo indicado o cultivo de espécies resistentes às geadas, como a aveia e o azevém
O pasto nativo reduz no frio, sendo indicado o cultivo de espécies resistentes às geadas, como a aveia e o azevém - Foto: Fernando Dias/Seapdr

Na produção de pastagens, o extensionista orienta o cultivo de espécies resistentes às geadas, como a aveia e o azevém. “O pasto nativo paralisa seu crescimento nestas condições de geada e frio intenso, diminuindo a oferta de forragem aos animais”, ressalta Moraes. 

Já na produção de trigo, que está na fase vegetativa, as geadas têm pouca ou nenhuma interferência na cultura. “Ao contrário, o frio estimula o perfilhamento das plantas, algo que é desejável. A temperatura letal à cultura na fase vegetativa é abaixo de -9°C, sendo a fase de emborrachamento e espigamento a mais sensível”, observa o extensionista.

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